quarta-feira, 17 de outubro de 2018

thirty

Este blogue foi deixado ao abandono e assim o era para continuar, mas hoje tive uma súbita vontade de vir escrever. Não sei ao certo sobre o quê e porquê. Talvez porque muita coisa tem acontecido nos últimos dias e numa mudança tão grande como a de agora a minha grande aversão a mudanças e a ansiedade que advém disso, estão a deixar-me num estado em que eu própria fico farta de me aturar. Sinto-me feliz por finalmente ter conseguido superar o fim da minha relação e estar bem comigo mesma com tudo o que aconteceu antes e depois das razões que levaram a que 7/8 anos depois tivesse de por um ponto final na história que achei que seria a que os meus netos iriam ouvir. Sinto-me feliz por ter ganho amor por mim mesma e ter acabado com a história que veio a seguir a esse término que só me fazia mal. Sinto-me tranquila com as duas idas semanais ao ginásio sem pensar constantemente "devia ir mais vezes" porque eu consigo alcançar aquilo que quero mesmo que vá apenas essas duas vezes, conciliando com a alimentação saudável, as minhas caminhadas e a muita dança que faço. Não são todos os dias felizes. Tem dias que me vou a baixo e me sinto triste por, para além dos amigos que tenho serem contados apenas com uma mão e estarem todos longe, às vezes gostava de ter alguém com quem partilhar algo. Não estou à procura de ninguém porque aprender a estar sozinha e desfrutar da minha companhia foi a melhor descoberta dos últimos tempos mas, este ano em particular, tem sido um ano de imensos casamentos e bebés lindos a nascer de pessoas que me são próximas, de pessoas que andaram comigo na escola, que tem a minha idade e, apesar de acreditar que toda a gente tem um tempo diferente para as coisas, como sempre fui uma romântica e sonhei com uma família, dou por mim a pensar: Algum dia serei eu?
Felizmente são cada vez menos estes os pensamentos, mas por vezes acontece, e acho que é super válido, ninguém está sempre feliz e acho que passar por dias menos bons também nos ajuda a aprender muita coisa.
O rumo deste texto não foi por onde eu inicialmente tinha pensado. Queria explicar que mudança é essa que me está a deixar com crises de ansiedade mas talvez numa próxima. Só ter dito o que acabei de dizer deixou-me tranquila.

quarta-feira, 7 de março de 2018

twenty nine

Há um ano conheci-te, era terça-feira, 13h. Há um ano mal imaginava que a minha vida estaria virada do avesso. Há um ano não previa que o meu coração se entregasse sem razão nenhuma a um desconhecido. Há um ano que o meu órgão vital é mais teu do que meu. Há um ano que continuo sem explicação para gostar tanto de ti. Há um ano que tanto mudou em mim. Há um ano que voltei a ser mais eu. Há um ano, obrigada. Nunca saberei onde é que isto nos levará até lá chegarmos, mas enquanto estiveres presente na minha vida, eu sei com o que posso contar, mesmo que não seja a melhor opção. Há um ano, e tu, lembraste? Há um ano!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

twenty eight

Só percebi o quanto estava uma pessoa estragada e infeliz quando apareceste na minha vida. E isso não é mau. Isso foi o melhor. Tinha-te para me segurar, para me manter à tona, para me mostrar que eu podia ser feliz outra vez, para me fazer ver o que quero para a minha vida. Mas até tu foste e continuas a ser um vai-e-vem na minha vida. Essa inconstante, - e tantas outras coisas que eu não sei explicar porque o meu subconsciente não quer dizer ao consciente - estão a deixar-me num caco. A ansiedade é cada vez maior, o não conseguir entender-me a mim mesma deixa-me em desespero. O bloqueio cerebral de cada vez que tenho de fazer algum trabalho para a faculdade deixam-me à beira de um colapso nervoso e a cada dia que passa é maior a vontade de desistir. Eu quero tanto seguir em frente, ser a pessoa organizada que era - e que não fazia um trabalho na véspera da apresentação, onde sai tudo mal porque o meu cérebro não colabora, torna tudo tão vazio e é extremamente difícil construir um texto coerente e que transmita aos outros aquilo que eu quero, depois quando comentam, dizem exatamente aquilo que eu queria dizer-lhes e não consegui. Quando é que tudo se transformou neste caos sem eu saber porquê? Isso é o pior.. Não saber porquê, sentir-me impotente por não conseguir explicar aos outros.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

twenty seven

Ganhei a coragem que precisava para voltar a inscrever-me no ginásio. Foi um misto de coragem, motivação, revolta, raiva e tantas coisas que nem consigo descrever de tão confuso que é. Inscrevi-me mas sei que só lá iria por os pés se tivesse orientação, e assim foi, ficou marcado. Queria muito lá ir uma ou duas vezes antes da sessão de orientação, mas não vou ser capaz. Os meus conflitos interiores não me vão deixar e desta vez vou ouvi-los. Vou, porque o primeiro passo está dado e prefiro ficar tranquila até ao dia do plano de treino, do que andar constantemente a lutar comigo. Preciso de descansar a cabeça, ultimamente tenho voltado a ter a cabeça a mil, cheia de coisas, sem conseguir ter uma noite de qualidade de sono, e se poder tranquilizar-me numa parte é o que vou fazer. Mas como comigo, ultimamente nada é um mar de rosas, não estou totalmente tranquila. Isto trás-me todas as memórias de quase um ano atrás. Foi assim que nos conhecemos, a seres o meu PT. Que na verdade só queria aquela orientação inicial e depois encarregava-me do resto sozinha, mas houve um clique tão grande - inconscientemente - que disse que sim, que treinava contigo. Foi assim que as coisas se tornaram na confusão em que estão neste momento. Apesar de saber que as pessoas não são todas iguais, que eu não faço clique com qualquer pessoa, estou a proteger-me mais. Já repeti para mim mesma que, seja lá o que é que eu tenha feito para ter despoletado isso em ti, não o vou voltar a fazer. O pior no meio disto tudo é que, apesar de não ter nenhum compromisso pessoal e profissional contigo, sinto-me mal. Sinto-me mal porque esquecendo toda a nossa história, sempre gostei de treinar contigo e que o iria continuar a fazer porque raramente me consigo sentir confortável com as pessoas (ou demora eternidades), e não quero que penses que te troquei. Ter de passar pelo processo todo de confiar minimamente numa pessoa para me sentir confortável a ter treino, deixa-me enjoada de susto. Deixa-me demasiado nervosa (isto porque sou tão anti-social, apesar de ser uma pessoa não sei agir como uma nem lidar com os da mesma espécie que eu, tu sabe-lo melhor que ninguém). Incrível, o que me conhece à menos tempo, mas o que me conhece melhor, irónico.
O pior no meio disto tudo é que no dia do treino, possivelmente é o dia que te terei nos meus braços depois de quase dois meses sem te ver e vou sentir-me tão traidora. A nossa nem sei o que lhe chamar é tudo mesmo correto, não é compromisso nenhum, mas mesmo assim irei sentir-me mal. Já disse para mim mesma que irei dizer-te que voltei ao ginásio mas que não direi que fiz um plano com outra pessoa e que ponderarei se treino ou não com ela. Mas sei que isso não vai acontecer, as palavras vão sair pela minha boca a atropelarem-se umas às outras antes de eu conseguir pensar que a tua vida e a minha são duas distintas e que nunca será mais que isso.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

twenty six

Sinto-me em recobro. Apesar de nada ser como antes, de ainda não ter encontrado o meu caminho, de ainda não conseguir sentir-me a maior parte do tempo feliz em vez de triste e perdida, sinto que estou a seguir em frente, a juntar cada pedaço para ficar em paz comigo. Tenho-me isolado muito, sempre o fiz, mas desta vez não é só porque sim, só porque acho que as pessoas não me entendem. É porque preciso. Gosto disto de ter o meu espaço. De não ter de falar a toda a hora com toda a gente. Agora, quando recebo uma mensagem, se não estou com espírito de responder deixo para mais tarde. Já não sinto obrigação em responder porque podem ficar chateados se eu não disser nada. E, não é que goste e queira mentir mas se me perguntam se estou bem, digo que sim mesmo que por dentro esteja um caco. Dizer que estou bem faz-me acreditar um pouco que realmente é verdade e faz-me seguir em frente. [Às vezes quero repetir pela milésima vez o mesmo: o que sinto, mas já chega, sinto-me repetitiva e sinto que canso quem me ouve.] Aos poucos as coisas vão-se recomponho, mesmo que não seja do jeito que eu imaginava. Há muita coisa que ainda dói, que eu não sei quando vai parar de doer. Mas preciso de olhar em frente, de continuar de onde parei, de voltar ao que me fazia e faz feliz. Há coisas que não me agradam tanto que vão continuar a fazer parte da minha rotina durante uns tempos, mas vou tentar manter a calma e dar o melhor de mim na mesma. Há coisas que eu quero muito que voltem a fazer parte da minha vida e da minha rotina porque se eu tinha dúvidas em relação a isso, deixei de ter - tenho tantas saudades de dançar, mesmo que provavelmente não seja a minha vocação, que eu não seja grande bailarina, preciso disso para me sentir bem, para estar feliz e mesmo que não seja para já, sei que vou ser capaz de retomar às aulas a sério. Sinto-me em recobro porque tudo está mal mas já esteve bem pior.

domingo, 7 de janeiro de 2018

twenty five post

Estou tão cansada de mim mesma. Estou cansada estar triste sem saber porquê. Estou cansada de chorar todos os dias. Estou cansada de todos os dias sentir-me de maneira diferente em relação a um mesmo assunto. Estou cansada de não saber o que sinto. Estou cansada de não saber como me sinto. Estou cansada de por vezes seres a minha única certeza e não seres certeza nenhuma. Estou cansada de fingir-me bem por não saber porque estou mal. Estou cansada de querer estar sozinha e ao mesmo tempo precisar que reparem o caco em que estou. Só queria desistir de tudo e enfiar-me debaixo dos lençóis à espera que tudo volte ao normal, se é que algum dia foi. Estou tão cansada de mim mesma.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

twenty-fourth post

Porque é que sempre que me sinto em baixo, seja qual for a razão, é sempre a ti que quero recorrer? Só a ti, não sinto vontade de correr para mais ninguém e desabar em lágrimas. É só contigo que quero conversar seja qual for a razão que me está a consumir e a deixar o coração apertado. Como deves calcular o que acontece é que não chego até ti e desabo em lágrimas sozinha.