terça-feira, 30 de janeiro de 2018

twenty seven

Ganhei a coragem que precisava para voltar a inscrever-me no ginásio. Foi um misto de coragem, motivação, revolta, raiva e tantas coisas que nem consigo descrever de tão confuso que é. Inscrevi-me mas sei que só lá iria por os pés se tivesse orientação, e assim foi, ficou marcado. Queria muito lá ir uma ou duas vezes antes da sessão de orientação, mas não vou ser capaz. Os meus conflitos interiores não me vão deixar e desta vez vou ouvi-los. Vou, porque o primeiro passo está dado e prefiro ficar tranquila até ao dia do plano de treino, do que andar constantemente a lutar comigo. Preciso de descansar a cabeça, ultimamente tenho voltado a ter a cabeça a mil, cheia de coisas, sem conseguir ter uma noite de qualidade de sono, e se poder tranquilizar-me numa parte é o que vou fazer. Mas como comigo, ultimamente nada é um mar de rosas, não estou totalmente tranquila. Isto trás-me todas as memórias de quase um ano atrás. Foi assim que nos conhecemos, a seres o meu PT. Que na verdade só queria aquela orientação inicial e depois encarregava-me do resto sozinha, mas houve um clique tão grande - inconscientemente - que disse que sim, que treinava contigo. Foi assim que as coisas se tornaram na confusão em que estão neste momento. Apesar de saber que as pessoas não são todas iguais, que eu não faço clique com qualquer pessoa, estou a proteger-me mais. Já repeti para mim mesma que, seja lá o que é que eu tenha feito para ter despoletado isso em ti, não o vou voltar a fazer. O pior no meio disto tudo é que, apesar de não ter nenhum compromisso pessoal e profissional contigo, sinto-me mal. Sinto-me mal porque esquecendo toda a nossa história, sempre gostei de treinar contigo e que o iria continuar a fazer porque raramente me consigo sentir confortável com as pessoas (ou demora eternidades), e não quero que penses que te troquei. Ter de passar pelo processo todo de confiar minimamente numa pessoa para me sentir confortável a ter treino, deixa-me enjoada de susto. Deixa-me demasiado nervosa (isto porque sou tão anti-social, apesar de ser uma pessoa não sei agir como uma nem lidar com os da mesma espécie que eu, tu sabe-lo melhor que ninguém). Incrível, o que me conhece à menos tempo, mas o que me conhece melhor, irónico.
O pior no meio disto tudo é que no dia do treino, possivelmente é o dia que te terei nos meus braços depois de quase dois meses sem te ver e vou sentir-me tão traidora. A nossa nem sei o que lhe chamar é tudo mesmo correto, não é compromisso nenhum, mas mesmo assim irei sentir-me mal. Já disse para mim mesma que irei dizer-te que voltei ao ginásio mas que não direi que fiz um plano com outra pessoa e que ponderarei se treino ou não com ela. Mas sei que isso não vai acontecer, as palavras vão sair pela minha boca a atropelarem-se umas às outras antes de eu conseguir pensar que a tua vida e a minha são duas distintas e que nunca será mais que isso.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

twenty six

Sinto-me em recobro. Apesar de nada ser como antes, de ainda não ter encontrado o meu caminho, de ainda não conseguir sentir-me a maior parte do tempo feliz em vez de triste e perdida, sinto que estou a seguir em frente, a juntar cada pedaço para ficar em paz comigo. Tenho-me isolado muito, sempre o fiz, mas desta vez não é só porque sim, só porque acho que as pessoas não me entendem. É porque preciso. Gosto disto de ter o meu espaço. De não ter de falar a toda a hora com toda a gente. Agora, quando recebo uma mensagem, se não estou com espírito de responder deixo para mais tarde. Já não sinto obrigação em responder porque podem ficar chateados se eu não disser nada. E, não é que goste e queira mentir mas se me perguntam se estou bem, digo que sim mesmo que por dentro esteja um caco. Dizer que estou bem faz-me acreditar um pouco que realmente é verdade e faz-me seguir em frente. [Às vezes quero repetir pela milésima vez o mesmo: o que sinto, mas já chega, sinto-me repetitiva e sinto que canso quem me ouve.] Aos poucos as coisas vão-se recomponho, mesmo que não seja do jeito que eu imaginava. Há muita coisa que ainda dói, que eu não sei quando vai parar de doer. Mas preciso de olhar em frente, de continuar de onde parei, de voltar ao que me fazia e faz feliz. Há coisas que não me agradam tanto que vão continuar a fazer parte da minha rotina durante uns tempos, mas vou tentar manter a calma e dar o melhor de mim na mesma. Há coisas que eu quero muito que voltem a fazer parte da minha vida e da minha rotina porque se eu tinha dúvidas em relação a isso, deixei de ter - tenho tantas saudades de dançar, mesmo que provavelmente não seja a minha vocação, que eu não seja grande bailarina, preciso disso para me sentir bem, para estar feliz e mesmo que não seja para já, sei que vou ser capaz de retomar às aulas a sério. Sinto-me em recobro porque tudo está mal mas já esteve bem pior.

domingo, 7 de janeiro de 2018

twenty five post

Estou tão cansada de mim mesma. Estou cansada estar triste sem saber porquê. Estou cansada de chorar todos os dias. Estou cansada de todos os dias sentir-me de maneira diferente em relação a um mesmo assunto. Estou cansada de não saber o que sinto. Estou cansada de não saber como me sinto. Estou cansada de por vezes seres a minha única certeza e não seres certeza nenhuma. Estou cansada de fingir-me bem por não saber porque estou mal. Estou cansada de querer estar sozinha e ao mesmo tempo precisar que reparem o caco em que estou. Só queria desistir de tudo e enfiar-me debaixo dos lençóis à espera que tudo volte ao normal, se é que algum dia foi. Estou tão cansada de mim mesma.