Porque é que sempre que me sinto em baixo, seja qual for a razão, é sempre a ti que quero recorrer? Só a ti, não sinto vontade de correr para mais ninguém e desabar em lágrimas. É só contigo que quero conversar seja qual for a razão que me está a consumir e a deixar o coração apertado. Como deves calcular o que acontece é que não chego até ti e desabo em lágrimas sozinha.
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
twenty-third post
Obrigada por me teres vindo dar o abraço que precisava. Ainda não sei porquê e qual o poder que tens sobre mim, mas sei que nada me reconforta mais que estar envolvida pelos teus braços deitada no teu peito. Obrigada por me teres vindo dar o abraço que tanto precisava. Depois de tanto tempo já devia saber que por mais longe que fiques acabas por aparecer e trazer-me toda a energia positiva que preciso, acabas por me lembrar que por muito errado que seja ainda somos extremamente dependentes um do outro, independentemente do que quer que seja que nos une. Porque esse é um grave problema, nenhum de nós sabe o que nos faz cair nos braços um do outro. Só que esqueço-me que tens esse teu tempo de recobro e acabo por dar em louca e querer encher-te de mensagens a dizer que não aguento estar mais tempo longe de ti. Sei o quão errado é, tal como tu o sabes ainda melhor que eu, sei que é quase tóxico mas fazer o quê se não sei negar-te e se tu não sabes deixar-me? Obrigada por me teres vindo dar o abraço que tanto desesperadamente precisava.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
trying to be strong and brave
Se tivesse de dar o papel de melhor amiga a alguém, sem dúvida alguma que teria duas pessoas a quem muito carinhosamente daria. Uma amiga já de uns 10 anos, e uma com um número de amizade mais pequeno, mas nada menos importante, que conheci na faculdade e sem dúvida alguma que foi o melhor dos três anos de licenciatura. Não as intitulo de melhores amigas porquê? Porque em tempos tive alguém a quem chamava de melhor amiga, uma pessoa que se ainda estivesse na minha vida, sem dúvida alguma que era a pessoa mais antiga nela, conheço-mo-nos desde os 4 anos de idade, ou seja, já teríamos uma amizade de praticamente 20 anos. A verdade é que a vida dá voltas e muita coisa acabou por nos separar, inclusive já não a vejo à uns bons 4 anos, não sei o que é feito dela, nada. E ela vive onde nascemos, onde passo sempre todas as minhas férias. Daí não me sentir confortável para dar esse título a ninguém (se bem que esta amiga de 10 anos, em tempos lhe chamei assim, tivemos os nossos problemas e a partir daí nunca mais tive a coragem de lhe chamar assim de novo - mas agora estamos muito bem!). Enfim, nem sei porque comecei este post assim mas pronto.
O que queria era escrever sobre qualquer coisa que não sei bem, mas que me deu vontade devido a uma conversa com essa tal amiga de 10 anos.
Este ano tem sido uma confusão. Foi sem dúvida alguma o ano mais complicado da minha (pequena) vida. Claro que o ano em que a minha avó faleceu, ou o ano em que o meu primo faleceu foram anos demasiado confuso para mim, perder alguém tão próximo não é fácil, mas este sem dúvida que está a ser uma superação de obstáculos, desafios, de tentar compreender-me.
Este ano não tem sido fácil, e quando digo este ano falo mesmo dele todo. A partir do terceiro mês de 2017 que a minha vida tem sido uma autêntica montanha russa o que acabou por me deixar num estado frágil. E quando olho para trás parece que ainda ontem era março, quando toda a confusão se instalou, e já estamos em dezembro.
Apaixonei-me por uma pessoa que não o meu namorado. Namoro há 8 anos, este últimos distante por ter vindo estudar e ele estando a trabalhar não iria deixar uma coisa que era segura para vir viver o meu sonho comigo. Viveu-o de longe, ou assim tentamos. Não foi fácil, foi péssimo até, mas aquela sensação de ter alguém ao nosso lado que nos vai dar um abraço forte passados três meses longe é incrível. Mas acabou que cada um cresceu para o seu lado. Sem nos apercebermos acabamos por perder muitas coisas da vida um do outro. O cansaço do trabalho e do estudo, tanto físico como psicológico, acabaram por deitar a nossa relação a baixo sem nos apercebermos. Mas as coisas foram andando durante esses três anos, mesmo quando tinha tudo para não resultar e o melhor era cada um seguir a sua vida. Acho que isso nunca aconteceu porque eu - e começo a perceber isso cada vez mais - tenho o grave problema, e eu não sei bem desde quando é que isto passou a fazer parte de mim, de não saber desapegar-me. Mesmo quando já não há mais nada a dar, mesmo quando já não sinto nada, mesmo quando o melhor é as coisas seguirem outro caminho, eu não tenho a capacidade de me desapegar. Tenho tentado entender o porquê disto mas ainda não fui capaz de perceber, e isso revolta-me. Revolta-me porque o não saber desapegar-me acaba por me consumir, eu acabo por afastar os outros mas sem nunca os deixar sair da minha vida - não sei se isto faz sentido, é que afasto-os com as minhas atitudes de pessoa completamente revoltada mas não os deixo partir, sair da minha vida se quiserem.
Isto para dizer que me apaixonei por uma pessoa que não o meu namorado. Apaixonei-me perdidamente desde os primeiros dias. Aquela maneira engraçada dele, a descontração, a boa energia, cativou-me! O problema é que de alguma maneira que eu não entendo, cativei-lhe também. Eu que sou uma pessoa (cada vez mais) fechada, tímida, que tenho graves problemas em relacionar-me com as pessoas. Ele que também era comprometido. E fizemos o errado, o que nunca pensei fazer porque é contra todos os meus princípios. Foram duas semanas de típica lua de mel, e eu disse-lhe "não me faças gostar de ti", ele prometeu-me que não queria fazer isso. Falhou-me a promessa. Claro que as coisas não correram bem, começou tudo da maneira errada, não podia correr bem! Fiquei perdida de amores, ingénua acabei o meu namoro sem dar explicações, o que foi muito errado. Fiz alguém sofrer sem dar explicações. A lua de mel acabou e aí vieram os pesos na consciência, os "não podemos continuar com isto, não somos estas pessoas". E não éramos, continuamos a não ser, mesmo que já me estejam a julgar neste momento e a dizer que sim sou má pessoa, diga o que eu disser. Infelizmente lá veio o meu lado de apego ao de cima e não conseguia evitar pedir-lhe que me encontrasse e ele cedia. Mas chegou a gota de água, passamos três meses sem sabermos nada um do outro. Durante esses três meses expliquei as coisas com calma ao meu namorado, reatamos porque eu achava que tinha sido um puro ato de carência da minha parte e que ainda o amava. Mas não tenho a certeza! Já não sei dizer aquilo que sinto! Não sei se esta história me afetou tanto que eu já (ainda) não sei o que sinto ou se realmente já não o amo. A verdade é que tudo está tão diferente. Não consigo ser com ele a pessoa que eu era, sinto-me desconfortável com pequenas coisas que antes eu nem pensava, e lá está esta mania de não me saber desapegar (e também o meu medo em voltar a magoá-lo!) não me deixa dizer que é melhor cada um seguir o seu caminho. Ou pelo menos eu ter um tempo para mim, para pensar, para entender-me, para entender o que realmente sinto, porque na verdade eu não consigo sentir! Não consigo saber o que sinto, não consigo distinguir os meus sentimentos, as minhas emoções. Está tudo num turbilhão dentro de mim, da minha cabeça a deixar-me cada vez mais insana.
Eu voltei a vê-lo quando decidi voltar para a cidade que já me acolhe à 4 anos. Viu-o e veio tudo ao de cima outra vez. E o ele dizer que teve saudades minhas mexeu demasiado comigo quando passei todas as férias a mentalizar-me que o que fiz foi errado, que foi um ato de pura carência e egoísmo e que não era amor. Como poderia ser amor se na realidade sabíamos tão pouco um do outro? - apesar de parecer que ele me conhecia desde sempre, a maneira incrível como ele é capaz de perceber cada pequeno detalhe de mim que outra pessoa qualquer que me conhece há mais tempo não consegue, é incrível! Talvez essa tenha sido a principal razão de todo o meu encanto. Mas voltando às saudades que ele alegou ter tido, mexeu mesmo comigo, só me apetecia dizer-lhe que também tive saudades dele, mas não ia deitar fora aqueles três meses em que me obriguei a fechar a cadeado tudo o que estava relacionado com ele. Brinquei com a situação, disse que não acreditava nele quando por dentro tinha o coração a mil. O abraço dele soube-me pela vida. Aquele abraço sabe-me sempre pela vida. Aquele abraço reconforta-me, deixa-me em paz, faz-me sentir segura. E agora, outra vez, mas sem dramas, sem eu nunca lhe ter dito que morria de saudades dele, sem termos cometido os mesmo erros da outra vez de começarmos a deixar que o que quer que sentíssemos um pelo outro fosse demonstrado pelas nossas ações, já não nos vemos à um mês. Aparentemente ele está bem, a fazer o que gosta e isso deixa-me minimamente feliz. Mas volta e meia morro de saudades dele e só me apetece mandar-lhe mensagem a dizer que preciso de o ver, que preciso do abraço dele. E eu não sei que sentimento é este, se é amor, se é paixão, se é de carência porque ele sempre se mostrou extremamente preocupado comigo como nunca vi, mas lá está o problema do desapego outra vez.
Lá está o problema do desapego, lá está o problema de não saber mais o que sinto, lá está o meu problema em não saber gerir e lidar com as situações da vida. E isso deixa-me louca! Deixa-me extremamente frágil. Deixa-me outra vez com as minhas tendências depressivas que começaram a manifestar-se desde o falecimento da minha avó, há 6 anos.
Nunca fui uma pessoa confiante, sempre duvidei das minhas capacidades, sempre achei os outros melhor que eu. Mas consegui acabar a licenciatura que sempre quis - apesar de continuar a perguntar-me todos os dias como é que os professores deixaram-me concluir, como é que nunca me chumbaram, sinto-me extremamente horrivel dentro da área!. Consegui também entrar no mercado de trabalho e adoro o que faço, sendo que já não tenho vontade, é todos os dias um grande esforço que tenho de fazer para me levantar da cama. Todos os dias tenho de respirar fundo enquanto estou a trabalhar para não me passar porque já não consigo ter paciência. Para piorar, decidi meter-me numa pós-graduação, que acho bastante interessante, mas que está a ser um grande desafio a nível psicológico. Não tenho tido a capacidade para lidar com o curso, quero muito conseguir porque para além do meu problema do desapego tenho o grave problema de não querer desistir das coisas a que me proponho fazer, mesmo quando me podem estar a fazer completamente mal por alguma razão - mesmo que a razão seja eu ser a minha própria inimiga! Mas está a ser difícil. Tenho um trabalho para apresentar daqui a uma semana e ainda não fiz nada. Tenho os tópicos daquilo que quero falar no trabalho mas sempre que começo a fazer pesquisa começo a stressar, tudo começa a não fazer sentido na minha cabeça e desisto. Tenho também um trabalho para entregar até ao final do mês que tem de ter no mínimo sete páginas que está igualmente por fazer porque não me sinto capaz, não consigo escrever uma única linha sobre o assunto. Não sei escrever, não sei ter uma opinião critica e construtiva, meto os pés pelas mãos, não sei como explicar isto que estou a tentar transmitir-vos - o mais engraçado é que tudo isto que escrevi até agora dão quatro páginas em letra tamanho 12 espaço 1,5 (o que é necessário para o trabalho), porque é que também não sou capaz de fazer isso com o trabalho? Escrever sem dificuldade nenhuma, sem pensar, só escrever e pronto?
E esta vontade de vir partilhar com vocês a pessoa horrivel em que me tornei (e também completamente frágil psicologicamente) veio de uma conversa com essa minha amiga de 10 anos de eu detestar que as pessoas me venham com o argumento de "estás a estudar agora vais até ao fim". Sim, é uma merda deitar fora dinheiro mas a minha sanidade mental, a minha saúde psicológica vem primeiro. Aliás, às vezes a vida não é preto no branco e temos de deixar em suspenso algumas coisas. Às vezes a vida tem outros caminhos para nós que talvez têm de ser feitos antes daquilo que nós nos propusemos a fazer. E por muito que eu queria fazer a pós-graduação, mesmo que agora seja só por teimosia porque não sei desistir, não sei perder, eu preciso de estar bem comigo mesma. E não estou. Acho que já não estou bem comigo mesma à muito tempo, talvez desde o falecimento da minha avó, talvez comecei a questionar tudo quando vim estudar mas neste momento estou no meu pior estado. E não quero continuar assim. Não quero continuar sem conseguir compreender-me, não quero continuar a duvidar das minhas capacidades, não quero continuar a ver só falhas em mim, não quero continuar a não ser capaz de ver nada de bom em mim, não quero continuar a ser a minha própria inimiga e estar sempre a deitar-me a baixo, não quero continuar a sentir-me inferior a todos, não quero continuar a não saber qual é o meu lugar na vida, não quero continuar a ter medo de ficar sozinha e não concretizar aqueles sonhos de menina que ainda tenho de casar e ter filhos, não quero continuar com alguém porque não me sei desapegar, não quero continuar sem saber o que realmente sinto. Porque essa sempre foi a minha essência, sempre senti demais, com muita intensidade, mas sempre soube o que sentia, se era amor eu sabia desde o primeiro momento. Quero encontrar-me, perceber qual o meu caminho. Quero ser capaz de me entender, de gostar de mim, de apreciar as coisas simples da vida. Quero estar em paz comigo mesma.
E acabo este mega texto que provavelmente ninguém será capaz de ler até ao fim, a chorar. A chorar e a querer desesperadamente um abraço dele. Não sei porquê, porque eu já não sei mais distinguir os meus sentimentos, mas sei que estou aqui a querer muito um abraço dele. Aquele abraço que me sabe sempre pela vida. Aquele abraço que me reconforta, que me deixa em paz, que me faz sentir segura.

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