Ambos sabemos porque nos deixámos de ver. Aliás, ambos sabemos o porquê de não teres voltado cá a casa. Tenho imensas saudades tuas, admito, e tu sabes. Não só de te ver como te tenho pedido sempre. Também de te ter bem junto a mim, tu sabes o quão bom somos juntos. Não queria esperar uma eternidade até te voltar a ver e usei o único trunfo que tinha, vou-me embora. Não menti, é verdade que vou. E tu reagiste logo! Não vou de vez, é certo. Só vou para longe uns tempos. Porque mesmo sabendo que não me vou curar de ti lá, por mais que eu deva, será impossível encontrar-te. E é disso que precisamos, não é mesmo? De mesmo não nos curando um do outro, precisamos de não nos ver. E eu tomei a decisão pelos dois. Vou eu. Porque tu nunca poderias ir, então eu vou. Vou para o único sitio onde sei que me posso refugir. Onde sei que irei pensar tanto ou mais em ti mas que estarei longe o suficiente para não termos mesmo hipótese de cair nos braços um do outro. Porque é sempre isso que fazemos, não é? Caímos sempre nos braços um do outro.Quando é que te tornaste tão impossível de resistir? Quando é que nos tornámos um vício um para o outro? E teres reagido tão rápido ao meu "vou-me embora", mais uma vez provou-me o quanto devíamos estar juntos. E teres desesperado, porque sei que achas que vou de vez mas não o neguei porque também não o perguntaste, deixou-me com o sorriso que sempre me deixas. E o voltares cá a casa está a deixar-me nervosa. Tu sabes que caímos sempre nos braços um do outro quando cá vens. Será diferente desta vez? Será a nossa definitiva despedida? Sei que a devíamos ter. E dizem que à terceira é de vez. A primeira foi um desastre. A segunda acalmou-me mas deixou-me a desejar-te ainda mais. Será esta realmente a última vez que te terei junto a mim? Será desta que hasteamos bandeira branca um ao outro? Sei que devíamos. Mas não consigo imaginar-me sem estes nossos encontros. Sem as nossas mãos entrelaçadas. Sem os teus beijos. Sem o teu colo. Sei que nunca fui tua mesmo sendo tua e sei que nunca foste meu mesmo sendo meu. Sei que devíamos. Sei que temos. Mas no fundo tenho esperança que venhas dizer-me apenas (outra vez) até já, vemo-nos em breve.

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