domingo, 25 de junho de 2017

twelfth

Esperei por ti mesmo sabendo que não virias. Esperei por ti sempre com a esperança que já me é normal mesmo sabendo que tu irias conseguir resistir. Esperei por ti como à exatamente três meses atrás em que me disseste "estou a chegar", mesmo sabendo que agora nem uma resposta tua teria. Mas enganei-me. Ouvi a tua voz mesmo antes de te ver. E quando dei por mim já tu tinhas entrado pela porta e o teu corpo estava junto ao meu. E repetiste-me enumeras vezes "a culpa é tua". E eu sei. Sei que o é. Provoquei-te. Não consigo deixar de o fazer, quero-te tanto. Mas quero-te tanto quanto tu me queres a mim. E por isso vens. E por isso tens tanta culpa como eu. Mas não me importo de carregar com ela sozinha se isso significar que tu vens. A culpa é minha. A culpa é inteiramente minha desde que tu venhas. E apesar disto ser tão confuso o meu coração está mais calmo.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

eleventh

E num abrir e fechar de olhos se passaram três meses. Neste últimos três anos, nunca três meses tinham passado tão rápido. Mas estes passaram, foi da tua entrada na minha vida. Tudo foi tão bom (e tão confuso) que o tempo voou. E hoje são três meses desde as tuas simples palavras "logo à noite apanho-te em casa para tomarmos um café?". Três meses de tanta confusão, de um nós que nunca existiu nem nunca existirá. Três meses em que sou tua mesmo não sendo tua. E fazes-me uma falta enorme. Tenho saudades tuas. Tenho saudades do teu sorriso. Tenho saudades da tua maneira parva de ser. Tenho saudades da maneira como me olhas. E neste momento era só de um abraço teu que eu precisava. Podias não me dizer nada. Podias chegar, abraçar-me por uns bons cinco minutos e voltar a ir embora sem nada dizer. Já ficava com o meu coração sossegado durante algum tempo. Mas hoje são três meses desde as tuas palavras ao deixares-me em casa "tu não queres sair daqui, pois não?", e tu tinhas razão sem eu saber bem porquê.

sábado, 17 de junho de 2017

tenth

Agora que voltei à realidade caiu-me tudo em cima. Não andei feliz enquanto estive longe, mas também não pensei exageradamente em ti. Quanto mais se aproximava à hora de regressar mais tu te entranhavas no meu pensamento. Mais o meu coração acelerava. Mais as lágrimas teimavam em se soltar. Não estou a conseguir dormir. Não estou a conseguir abstrair-me. Não estou a conseguir parar de chorar compulsivamente. Só me apetece ver-te. Sentir o teu abraço. E eu que pensei que estava a conseguir curar-me de ti. Enganei-me. Como pude achar que me estava a curar conhecendo-me tão bem? Preciso desesperadamente de te ver e não sei se isso vai acontecer. Quero desesperadamente mandar-te mensagem a dizer o quanto sinto saudades tuas e sei que não posso. Nunca pensei que fosse tão difícil. Mas estás tão entranhado em mim. Voltei à realidade e está a custar mais do que antes de ter fugido.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

ninth

Morro de saudades tuas. É isto que te quero dizer. Que morro de saudades tuas. Que mesmo sem te ver, sem te falar, morro de saudades tuas. Ainda não me consegui desapegar do que quer que seja que me tenha feito apegar a ti. Na verdade, mesmo sabendo que é pura burrice porque só me faz doer ainda mais, eu não quero desapegar-me de ti. E se eu não quero obviamente que esta minha decisão de ir para longe foi em vão, para mim. Sei que para ti é o certo. É o correto a fazer. Tenho pensado imenso se ainda te está a custar ou se foi fácil desapegares-te. Custa-me tanto. E eu não queria que uma coisa assim me custasse tanto. Mas já me dispersei. Hoje só quero dizer-te que morro de saudades tuas.

domingo, 11 de junho de 2017

eighth

O raio do taxista andou a fazer as mesmas voltas que tu. E eu passei-me. Porque o objetivo de tudo isto é tirar-te da cabeça, certo? Ou pelo menos aprender a lidar com o que nos une mas que é errado e não podemos continuar a ceder. Mas comecei a pensar e acabei por agradecer-lhe, em pensamento, pelo caminho que ele tomou. Decidi que era o início de todo o processo para aprender a lidar com o nós que não chegaremos a ser.
9.junho - 6h00

segunda-feira, 5 de junho de 2017

seventh

O teu cheiro voltou a ficar entranhado no meu corpo. Como é bom sentir o teu cheiro. E tu vieste. E por momentos senti uma mistura de felicidade e revolta ao mesmo tempo. Porque tu não me cumprimentaste como sempre o fazias ao chegar cá casa. E percebi que era o nosso adeus. Ou pensava eu. Como sempre acabamos por cair nos braços um do outro. E eu fiquei feliz. Não devia. Não devia ficar feliz por só te ter estes bocados, mas aprendi a ter-te só por momentos, e por enquanto isso basta-me para ser feliz. Porque amar é assim. E eu não te amo, não te assustes. Não seria capaz de o dizer. Mas é tão mais forte usar a palavra amor do que gostar. Gostar é uma palavra com tao pouca intensidade. E eu gosto-te com uma intensidade inexplicável. E eu entendi que isto ainda não é o fim, nem o adeus. Não sei quando será, não quero saber. Só sei que serei feliz com isto. Mesmo que não deva. Mesmo que seja errado. Que se foda. Não te tenho por inteiro como tu me tens a mim, tu sabes que tens mesmo que não queiras acreditar nisso. Estive sempre feliz. Todo o dia não consegui tirar o sorriso estúpido que me deixas sempre, mas é inevitável pensar que estar pelo menos duas semanas sem te ter por perto vai custar imenso. E em parte a culpa é minha. Sei bem. Precipitei-me. Só me pergunto se esta minha decisão repentina nos fará desapegar. Porque se não o fizer, só ficarei pior. Mas hoje estou feliz. Deixaste-me feliz.

domingo, 4 de junho de 2017

sixth

Ambos sabemos porque nos deixámos de ver. Aliás, ambos sabemos o porquê de não teres voltado cá a casa. Tenho imensas saudades tuas, admito, e tu sabes. Não só de te ver como te tenho pedido sempre. Também de te ter bem junto a mim, tu sabes o quão bom somos juntos. Não queria esperar uma eternidade até te voltar a ver e usei o único trunfo que tinha, vou-me embora. Não menti, é verdade que vou. E tu reagiste logo! Não vou de vez, é certo. Só vou para longe uns tempos. Porque mesmo sabendo que não me vou curar de ti lá, por mais que eu deva, será impossível encontrar-te. E é disso que precisamos, não é mesmo? De mesmo não nos curando um do outro, precisamos de não nos ver. E eu tomei a decisão pelos dois. Vou eu. Porque tu nunca poderias ir, então eu vou. Vou para o único sitio onde sei que me posso refugir. Onde sei que irei pensar tanto ou mais em ti mas que estarei longe o suficiente para não termos mesmo hipótese de cair nos braços um do outro. Porque é sempre isso que fazemos, não é? Caímos sempre nos braços um do outro.Quando é que te tornaste tão impossível de resistir? Quando é que nos tornámos um vício um para o outro? E teres reagido tão rápido ao meu "vou-me embora", mais uma vez provou-me o quanto devíamos estar juntos. E teres desesperado, porque sei que achas que vou de vez mas não o neguei porque também não o perguntaste, deixou-me com o sorriso que sempre me deixas. E o voltares cá a casa está a deixar-me nervosa. Tu sabes que caímos sempre nos braços um do outro quando cá vens. Será diferente desta vez? Será a nossa definitiva despedida? Sei que a devíamos ter. E dizem que à terceira é de vez. A primeira foi um desastre. A segunda acalmou-me mas deixou-me a desejar-te ainda mais. Será esta realmente a última vez que te terei junto a mim? Será desta que hasteamos bandeira branca um ao outro? Sei que devíamos. Mas não consigo imaginar-me sem estes nossos encontros. Sem as nossas mãos entrelaçadas. Sem os teus beijos. Sem o teu colo. Sei que nunca fui tua mesmo sendo tua e sei que nunca foste meu mesmo sendo meu. Sei que devíamos. Sei que temos. Mas no fundo tenho esperança que venhas dizer-me apenas (outra vez) até já, vemo-nos em breve.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

fifth

Podia ter corrido mal. Por todas as razões e mais algumas. Mas felizmente não correu. E eu vi-te. E Tu viste-me e sorriste. Sorriste e o meu coração ficou mais leve porque o teu sorriso que tanto me conquistou, disse tudo. Mostraste-me mais uma vez a pessoa fantástica por quem aos poucos me fui apaixonando. Admito que tive receio que reagisses mal, que fizesses de conta que nunca me tinhas visto na vida, peço desculpa por momentos ter duvidado de ti. Foi tão bom poder voltar a ver-te. Foi tão bom poder voltar a estar perto de ti. Foi tão bom sentir o calor do teu abraço. Foi tão bom ouvir-te dizer que gostaste de me ver. E eu sei que tudo terminou, mesmo sem ter tido um começo. Mas também sei que te custa tanto quanto a mim. E quando custa aos dois devia ser simples de resolver, mas o nosso caso é tão atípico. Hoje sim, senti a nossa despedida. E por isso não consigo controlar as lágrimas que são ainda mais do que têm sido nestes últimos dias. No fundo espero que tenha sido um até já, vemo-nos amanhã. Porque podia ter corrido mal. Mas não correu.