quarta-feira, 31 de maio de 2017

fourth

Foste a única pessoa a quem contei os meus segredos mais profundos. Não tiveste de insistir. Logo ali naquele dia contei-te de forma tão natural o que sempre escondi de todos. E logo ali devia ter percebido que algo não estava bem. Mas não vi. E com o passar do tempo, que nem foi assim tanto, tudo deu uma volta. E mesmo sem seres meu, eras meu. E mesmo sem ser tua, era tua. E tornei-me tão dependente do teu toque mesmo sem querer. E agora sou tão dependente de ti e tu não estás. Sou tão dependente de ti e já nem te vejo. Sou tão dependente de ti e já nem te falo. Sou tão dependente de ti. E todos os dias choro por ser tão dependente de ti e não querer deixar de o ser.

terça-feira, 23 de maio de 2017

third

Quando tudo termina exatamente no mesmo dia em que começou. Mas dois meses depois. Dói. Eu senti os teus lábios nos meus pela última vez. Eu senti o teu corpo no meu pela última vez. Eu senti o teu olhar percorrer cada curva do meu corpo pela última vez. Eu senti o teu coração acelerado pela última vez. Tudo foi pela última vez. A tua roupa espalhada no meu quarto. O teu corpo nu na minha cama. As tuas mãos nas minhas. O teu abraço. A tua voz. E eu não sei viver assim. Não sei viver com esta intensidade toda com que sempre gosto das coisas. Com que sempre me entrego. E desculpa dizê-lo mas prefiro um dia contigo do que uma eternidade sem ti. É esta a intensidade com que me dei a ti, sem querer. É esta a maneira absurda com que te desejo todos os dias. E eu só sei querer ser de ti. E não quero outra coisa. Foda-se os clichés de "o tempo cura tudo". Foda-se o tempo. Foda-se o tempo e o correto. Quem disse que algum dia o amor tinha de ser correto certamente ainda não o fez na medida certa. Na intensidade certa.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

second

Fiz exatamente o mesmo que todas as segundas. Cheguei a casa, abri o estore, descalcei os sapatos e sentei-me ansiosamente à tua espera. A diferença é que desta vez não vieste. Não houve o toque da campainha. Não houve ninguém a acender-me a televisão. Não houve um beijo. E então eu fiquei só sentada, em silêncio na esperança que venhas. Quando quiseres, não tenho pressa. Só quero que venhas.

domingo, 7 de maio de 2017

first

Tenho tido tanta necessidade de escrever. De escrever-te. E eu sei que não sabes, como poderias saber se só conheces o lado de mim que ninguém conhece e todo outro desconheces completamente? E todos os dias escrevo-te, mesmo sem saberes. Acredito que nem suspeitas de nada, como poderias suspeitar se o que conheces para além de cada curva do meu corpo, é todo o meu lado que todos desconhecem? E todos os dias penso em ti, isso tu já sabes mesmo que finjas que não. E todos os dias recordo-me de cada parte do teu corpo, de cada cicatriz e é tão bom fazê-lo. Mas depois vem a saudade. Vem a saudade de te ter deitado na minha cama, ao meu lado. Mesmo que permaneças por apenas uns segundos, já é tão bom. E todos os dias desejo-te. Todos os dias quero-te perto.